A Olimpíada de Tóquio terminou e já estamos com gostinho de quero mais após asurpreendente participação do Brasil, que ficou no 12º posto no quadro de medalhas e subiu uma colocação no ranking comparado aos jogos no Rio 2016.

Mas os Jogos Olímpicos também trouxeram outras surpresas. Já há algum tempoa moda vem fazendo cada vez mais parte dos uniformes usados pelos atletas nas olimpíadas; este ano vimos no desfile de abertura dos jogos em Tóquio uma passarela que mostrou ao mundo trajes com informação de moda aliada a tecnologia, sustentabilidade e mensagens sobre inclusão como nunca visto antes. Ao invés das pessoas procurarem por atletas em destaque de cada país, elas começaram a opinar sobre qual delegação tinha o uniforme mais bonito. Sinais de novos tempos!

Sustentabilidade: Libéria e Espanha

Cada país teve sua particularidade no momento da criação desses uniformes. Alguns estilistas tiveram destaque maior por sua criatividade e mensagem passada, como é o caso do estilista Telfar Clemens que assinou o uniforme dos cinco atletas da Libéria, que ao que tudo indica foi o mais fashion da temporada. O uniforme da delegação é composto por setenta peças criadas a partir do conceito de sustentabilidade e neutralidade de gênero. O nova-iorquino Telfar Clemens é filho de pais liberianos e conquistou muitos seguidores para sua marca vegana e agênero ao criar a famosa bolsa “Bushwick Birkin”.

A delegação da Espanha trouxe a sustentabilidade alinhada ao espírito dos Jogos Olímpicos mostrando uma coleção composta por uma linha de calçados e outras trinta peças confeccionadas a partir de plástico processado e depois transformado em fio de poliéster.

Técnica Artesanal: República Tcheca

A delegação da República Tcheca veio na contramão dos estilistas que procuraram usar tecidos altamente tecnológicos muitas vezes em detrimento do seu desenho.

A estilista Zuzana Osako da marca Zuzana Osako Tradition desenvolveu para a delegação peças eficientes e feitas na técnica artesanal modrotisk, quepode ser traduzida como "impressão em azul", utilizada desde o século XVIII (dizem ter vindo do Japão). Essa técnica consiste no tecido ser impresso utilizando-se um material resistente à coloração durante o banho em cor índigo, e quando o material é retirado, sua marca forma um desenho na cor original do tecido sobre a base tingida. A modrotiskentrou na lista de patrimônio cultural da UNESCO em 2018.

Essa coleção além de ser uma homenagem ao passado, também é o mais próximo da alta costura que o sportswear pode chegar.

Tecnologia: Estados Unidos

A delegação dos Estados Unidos se apresentou com uniformes criados por Ralph Lauren (parceria sólida entre moda x jogos olímpicos desde 2008), em termos de estética nos lembra a aparência de um astronauta e de um marinheiro; em termos de tecnologia, de inovador temos o sistema patenteado RL Cooling que é um dispositivo de controle de temperatura auto regulável na jaqueta.

Mas a surpresa maior foi a marca SKIMS da socialite Kim Kardashian do reality KUWTK ser a fornecedora oficial das roupas íntimas da delegação americana.

Tendências de moda: França e Canadá

A federação do Canadá surpreendeu ao trazer sua equipe usando peças jeans com grafites estampados baseado numa moda streetwear e sem gênero. As peças foram criadas numa parceria entre a marca Hudson Bay e a Levi´s, que é a pioneira do denim. Os grafites são compostos pela bandeira do Canadá misturado a palavras em grafia japonesa; esses detalhes homenageiam seu país e a nação anfitriã.

A delegação da França tem seus uniformes confeccionados pela Lacoste desde 2012. O uniforme dos franceses combina uma das principais tendências de moda que é o oversized, e as jaquetas longas fazem referência também ao quimono, um dos trajes mais tradicionais do Japão.

Homenagens: Japão e Itália

 

A delegação do Japão – país anfitrião usou um modelo de uniforme na abertura que tinha seus simbolismos: o look assinado pela empresa Aoki carregava as cores de sua bandeira nacional, e além de homenagear o modelo usado pelos atletas nos últimos Jogos realizados na cidade, em 1964, também foi a primeira vez que tanto os atletas olímpicos quanto os paraolímpicos usaram o mesmo uniforme. Os demais uniformes da delegação foram desenvolvidos pela Asics com peças de roupas recicladas. Vemos um avanço tanto na inclusão social quanto no design de moda adaptável.

A equipe da Itália apareceu vestida por Giorgio Armani, que aliás veste a delegação desde as Olimpíadas de Londres; as peças foram apresentadas pela grife na passarela de seu desfile Primavera/Verão 2020. O uniforme consiste num moletom preto onde a bandeira italiana aparece no formato circular prestando homenagem à bandeira japonesa, outro detalhe é a palavra Itália escrita em grafia japonesa, já na gola do agasalho podemos ler o lema “Fratelli d´Italia” (Irmãos da Itália) que é o primeiro verso do seu hino nacional.

Homenagens: Austrália e Brasil

 

A equipe da Austrália apostou em modelos casual onde a predominância foi o “minimalismo e a atemporalidade”; a empresa de moda esportiva Sportscraft foi responsável pela criação da coleção e a peça principal foi um paletó cinza cujo forro estavam gravados os nomes dos 320 atletas olímpicos nativos que já haviam ganhado medalha de ouro. Uma bela forma de homenagem.

A delegação brasileira que usou no desfile de abertura as roupas produzidas pela Wollner, com looks estampados num mix entre a cultura brasileira e a japonesa. A estampa é composta por folhagens tropicais misturadas às tradicionais carpas e flores dos quimonos dos samurais, em meio ao verde e azul que fazem referência a nossa bandeira.

Brasil

 

Em conjunto ao look, os atletas usavam em seus pés as sandálias Havaianas que é um símbolo brasileiro capaz de representar o Brasil inteiro. A Riachuelo ficou responsável pelos trajes casuais dos atletas. Já na prática dos esportes em si, os atletas vestiram uniformes desenvolvidos pela empresa chinesa Peak Sports, desenvolvidos em fibras 100% poliéster destacando as cores da bandeira nacional.

Limitações: Rússia

 

A delegação da Rússia, por estar sob sanções da WADA - Agência Mundial Antidoping devido a um escândalo de dopping, teve que competir sob a bandeira neutra do Comitê Olímpico e nem o hino nacional pode ser tocado.

Com relação ao uniforme a designer Anastasia Zadorina da Zasport realizou um trabalho difícil tentando equilibrar as cores vermelho, branco e azul com as limitações legais; a equipe russa de nado sincronizado foi proibida de usar maiôs com a representação de um urso, pois o Comitê Olímpico entendeu que ursos são russos demais, isso acontece porque a mascote do país é o urso chamado Misha. Nesse caso qualquer simbologia ou a palavra Rússia estava proibida na competição.

 

Por Ana Luci Bueno

Consultora em Design de Moda - e-mail: ana.bueno@sp.senai.br

 

Instituto SENAI de Tecnologia – IST Têxtil e Moda

Rua Correia de Andrade, 232, Brás, São Paulo/SP

Ismael Oliveira - Supervisor de Projetos e Tecnologia

e-mail: ismael.soliveira@sp.senai.br

(11) 3312-3550 - Ramal 3624 / (11) 3312-3572  

Saiba mais sobre nossos serviços: https://bit.ly/institutosenaitecnologia

Siga nossa página no LinkedIn: www.linkedin.com/showcase/ist-textil-moda